Confusão

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São loucuras lançadas de todas as direções, e não consigo enxergar. São pedaços e histórias, encontros cancelados e vontades mudas. É muito de tudo e pouca verdade nas palavras que se movimentam no ar e se perdem sem falar, até que gritadas não são ouvidas, já esquecidas.

São sentimentos sobre a pele morta, restos que moldam a face que perdeu sua expressão. É tanta gente que se confunde, são tantas vozes que me impõem o que ser.

Sou um encontro realizado, em minha vida entre parênteses há o que preciso, uma voz doce e a uma espera de final previsto para um dia que nunca se acabará

Resposta

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Itarcio & Sthefany - foto

Constatar que as linhas que nos une se apresentam ainda variáveis em força revela súbito medo. O temor de te perder por um milésimo de segundo me perturba por várias horas. E olhar para o nada é te ver sem ser visto. Prendo a respiração, as palavras desaparecem no vácuo que sou sem tua companhia. Incredulidade me mata devagar; nunca morro. Sempre fugindo de mim, mas ninguém vê.

Sou teu. E essa verdade também é tua. Acho que, de alguma forma isso te aflige… Pelo erro escondido nas tentativas. Mas no momento em que sente medo é quando mais se aproxima do erro. Tenho muitas formas de te falar, mas estou aqui escrevendo; porque todas as minhas frases são tuas também.

Digam o que quiserem, nunca me satisfez sentimentos incompletos e prioridades invertidas. Há beleza sublime na verdade e satisfação imedida na clareza dos pensamentos. São essas aspirações legítimas. Te amo da única maneira que posso te amar, por inteiro.

P.s.

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Aqui são palavras do desencontro. Mas devo, antes de tudo, classificá-las apenas como introdução e exceção.

Antes sabia que seria assim, mas não imaginava que fosse lindo morrer mais uma vez. Mal lembro há quanto tempo isso começou, se 5 ou 6 anos; todo o tempo em que tua apatia dilacerou meu coração em partículas que até microscopicamente não restasse mais nada que nos ligasse, exceto lembranças.

Bisbilhotei tuas palavras, e não me encontrei. Foi como se falasse de outra pessoa. Nunca bastou pra tu expressar bons sentimentos, guardava a inspiração pros momentos de solidão quando eu me afastava por desespero, e ninguém te queria.

Todas as minhas palavras lançadas em tua direção não pousaram sob sua cabeça, não moraram em teu coração, por isso do que retornou até mim identifico somente dor e dúvidas, que só ecoa, não grita mais. Deixava-me tão solto quanto pudesse tocar outras vidas, porém preso suficiente para que ninguém pudesse tocar até me ganhar por completo. Um pouco menos de amor próprio e eu estaria até hoje perdido em possibilidades erradas. Mas não esperei o sol se pôr novamente e tua voz me chamar.

Minha frase foi de finalmente despedida, e acho que no fundo tu duvidou do que já dissera inúmeras vezes, mas sempre falhei comigo mesmo por acreditar no amor, e de que se fosse o sofrimento parte disso meu dever era entregar-me sem reservas. Tu e tua ilusão em achar que o amor cerceia a vida.

Outrora refletia que o amar de novo significasse estar à salvo de grandes surpresas e que não fosse mais possível o arrebatamento da alma quando dois sentimentos se encontram. Me enganei, e me senti feliz ao perceber minhas limitações em entender. E sorri ao verificar que ainda posso sentir sem limitação nenhuma… Há magia em ser conquistado e sentir-se suficiente.

A injustiça de Deus tornou-se sua principal expressão de misericórdia, e é impossível desaperceber do que fora um milagre pra mim, completar-se à medida em que me sinto completo. Tenho desvios de desejos, mas construo agora e até o fim das vidas um amor na beleza das verdades divinas.

Encontrei quem me fizesse sentir o que sempre pensei ser, mas duvidava pela insuficiência que significava eu pra tu. Em meu caminho não há volta, e meus passos são avisos que se desfazem atrás de mim.

Cheguei a ouvir até de tu mesma que nunca iria mudar, mas desprezei a mim mesmo quando escolhi ignorar. Se o amadurecimento veio tarde, considere então o esquecimento como melhor alternativa sobre o que fomos nós. Tu está onde fez questão de ficar, quando podia escolher. E eu estou onde sempre quis estar. Sou bem melhor agora, posso sentir.

Eu voltei

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Hoje completaria 3 meses e 20 dias sem escrever aqui, e muitas foram as mudanças que me ocorreram. É, na verdade, coerente afirmar que quase tudo é diferente agora, mas a percepção é proporcional à distância com que tu e os demais acompanharam essa história.

Se devemos considerar as curvas e quedas como acidentes inevitáveis de percurso, devo dizer que constatar minha vasta ignorância sobre o que pensei relativamente compreender foi das partes mais difíceis: eu não sei nada sobre o amor. E se o que ainda julgo conhecer é fruto da mesma matéria-prima da ideia a qual verifiquei o equívoco, há o risco de que todos os outros conceitos estejam fadados ao erro. Mas manterei enquanto houver verdade.

Pode ser que nas próximas palavras esteja óbvio certa alegria instantânea, como quando somos crianças e ganhamos um brinquedo novo, acompanhado de tantos e singelos mistérios que é fazer as mesmas coisas de um outro jeito. Talvez notem uma paz que transborda nas entrelinhas pelos espaços vazios e invade as palavras por dentro, como se não houvesse impedimento possível… Desses riscos ainda sou espectador tão quanto os que estão lendo agora.

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Todos que acompanharam — ainda que distantes —, sentiram um pouco a dor em cada parágrafo. Sempre corri dos clichês, mas cedendo ao otimismo quase que impróprio a minha’alma, e oposto a provavelmente todos os textos anteriores a esse, encontrei nesses dias passados a verdade escondida e relativa de que pode ser que a vida surpreenda, e em todos os detalhes que só a realidade proporciona, será melhor do que nossos sonhos conseguem reproduzir.

Às vésperas do fim, preparava já o coração pra de novo suportar a dor de amputar sonhos inteiros. (Devo observar que a primeira vez, quando cercado de auréolas de inocência a dor é devastadora. Na próxima já sabemos pra onde correr…). Sem procurar, encontrei em outro alguém suficiente força para aguentar, um novo caminho para a fuga, um convite à vida que por tanto tempo apenas tolerei e esperei que passasse. Faz pouco tempo, mas sinto a mudança em pequenas e infinitas doses ao ponto de que enxergar os dias como contagem de tempo tornou-se somente distração para enganar a saudade que sinto dela.

Me enganei. E não tenho certezas que me ponham no chão, senão a máxima de que nossas escolhas nos fazem. Possuo um amor que me leva próximo ao céu, tão comedido e veemente como é necessário ser todos os amores. A sensação de estar completo extasia, descartando conscientemente quaisquer investidas externas e interiores que interfiram nesse estado sublime. Encontrei em teu peito expectativas e consolo, de tal maneira que não há mais aspirações se não for tua presença constante. Posso ignorar os subterfúgios e feridas que me atrapalhavam ser eu. Me encontrei em você.

Meu zelo é fazer-te feliz, e abençoado esteja pelo divino invisível, porque não há de passar. Tua presença em sentimento me inspira à escrever, mas antes de todas as coisas é minha inspiração para viver.

♫ Your Guardian Angel – The Red Jumpsuit Apparatus

Despedida

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Foi enquanto inerte que mais me aproximei do erro. Mas em todas as vezes que tentei foi quanto mais forte senti. Ainda assim, posso afirmar empíricamente que machuca menos do que arrependimentos petrificados.

O que se escreve aqui, antes de tudo, é uma auto-terapia que esvazia e me impede de desabar. No decorrer desses anos estabeleci minha fuga em palavras falhas pra justificar e entender. Constatei ter sido insuficiente todas as vezes, como se dependesse de mim mais do que consigo oferecer, ou, na realidade, independe em totalidade do que penso e exteriorizo. Tornar a dor assunto tem tido o efeito contrário ao qual primeiramente me propus. Chegou a hora de parar para respirar até sentir-me apto outra vez. Sou imensamente grato a todos que dividiram comigo os sofrimentos.

Não cabe a mim antever o porvir, e reviver foi só o que fiz até saturar. Trata-se apenas do agora.

Esse é o último.

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Há tanta subjetividade porque tu não gosta de ser. Mas mesmo sendo sobre você, nunca foram as suas palavras. É um pouco do que foi ignorado e eu nunca soube como dizer tudo sem me perder naquele teu olhar de desdém, o mesmo que usa para esconder o desespero. Sequer a mochila abri, e as roupas permaneceram arrumadas no mesmo lugar. Rápido demais pra sufocar qualquer chance de prolongar, a dor, o amor.

No início tanta destreza em fazer-se inabalável, como se fosse o envolvimento fraqueza, transformando o sublime em mera representação da derrota e previsão evidente de frustração. Logo cedeu um pouco, porque ninguém consegue ser outro todo o tempo sem se perder. Pareceu ter decorado as respostas, e minhas palavras não tiveram efeito suficiente. Em todos os passos de volta, a cada quilômetro esperei o telefone tocar, como se não houvesse acreditado em nenhuma das tuas palavras. À medida com que distanciava os pensamentos eram substituídos, porque talvez tenha sido mesmo real…

Meu imediatismo sempre visto como drama desnecessário, deixo de lado. Sempre quando quis te apagar de mim fazia de tudo, esperando não te ver em lugar nenhum; em vão. Ainda não tive coragem de deletar as mensagens em que pareceu estar feliz. Dessa vez deixarei você se livrar dos restos, e acompanharei sem pressa. Não possuo mais a aspiração instantânea de outrora em parecer que não dói. Quando ocorra, há de ser mais genuíno que os momentos passados.

Me perdoe se tenho necessidade de falar, se não sei sofrer sozinho, como você. Ao que me parece, também tive culpa em demonstrar sem tantos impedimentos esse querer imensurável. Minha ideologia utópica sobre o amor me derrubou de novo. Sinto muito mais do que escrevo aqui. Não me importo que saibam. Já são duas noites que sonho com você e é só isso que tenho, até perder-se também. Seguirei incompleto até não querer mais ser completado. Por dentro o sentimento que jamais morrerá, cada vez menos manifestado até dispersarem-se os significados. Sem olhar pra trás, sem a amargura da ausência das tentativas.

…E viveram tristes para sempre.

Quebrado

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As vezes uma frase te desmonta. Recompor-se em silêncio é sempre solitário, e enquanto reproduz quase por automático as simpatias rotineiras, decompõe-se lentamente de dentro pra fora. O estrago só aparece quando já não há mais o que fazer pra consertar.

Cada dia um pouco menos presente, até perder-se por completo. Ou algemado ao passado, ou confuso demais nas possibilidades cheias de erro.

Abril

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Tive medo de ceder, mas deixei escapar pelas vontades maiores que dominavam aquele dia. Era a frase mais bonita para salvar uma noite de despedida, que ainda tua presença não conseguira preencher, mas transbordava em ansiedade de fazer, como se bastasse somente meu querer. Foi singelo como o primeiro amor, quando ainda não existem feridas abertas, nem cicatrizes em peles mortas.

Pretensões disfarçadas por meios olhares, palavras contadas entre os toques dos dedos; carinhos de leve e beijo apertado para encobrir os espaços vazios, do que ficou pra trás. Todas as vezes evitava o sono pra não sonhar, pois de tão perfeito que era, a realidade se aproximava do pesadelo e era tortura retornar. As manhãs que esperei teu abraço voltaram pra lembrar que sou um só, que isso aqui se vive uma vez, e segundas chances são exceções sem a graça de errar.

Em minhas mãos a razão mais forte pra reviver ou prosseguir sem lembrar. Não poderia negar sem me martirizar por todos os outros anos. Não há escolha sem risco, há só arrependimentos e impotências escoradas em possibilidades vencidas.

Quero de novo o brilho que estava em teus olhos naquele dia.

Frase #001

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Há quem diga que o amor morreu. Todavia não perceberam sua condição. Mas suas vozes já não podem mais falar e serem ouvidas sem que denuncie o próprio desfecho da ilusão quotidiana que chamam de vida.

Frases soltas

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Imprescindível diagnosticar todas as linhas tortas e aquelas palavras engolidas a seco. Tem dias que o paradigma é ser ruim, e duram além do próximo amanhecer. Tem vezes que perco a glória dessa existência ínfima. Tanta subjetividade para nenhuma certeza. Respostas que não existem são esperas cheias de ilusão.

Escrevo pra destrinchar o que eu penso, e em algum verso pode até ser que te entenda.

As palavras doem pra sair. Parece justificativa para a pouca frequência, mas é que a felicidade não permite intervalos. Todas as vezes que escrevo sou triste. Extensão de tudo que não sei falar e que tu nunca quis ouvir por medo de saber.

Só o que tento querer é mais de você, mas tropeço no silêncio que criou pra me afastar, ao mesmo tempo me prender, sujeito a ignomínima da ingenuidade em não saber o que fazer. Em tanta instabilidade enevoa-se os sentimentos. Se eu devo esperar, vai doer saber. Quis fazer parte da redenção, mas quase todos os dias acabam em desilusão.

Me sinto preso em parágrafos sem fim, e tudo que não foi dito corrói a dor até perder a sensibilidade. Talvez meu futuro seja relembrar. Buscar sentidos sempre tirou minha paz, mas não consigo ignorar. Se é mais do que consegue explicar, é só dizer, estou aqui pra você. Só não vamos falar em prioridades, meu amor… O orgulho já me abandonou também. Viver no por enquanto é muito menos do que preciso.

Essas palavras não eram pra você, mas já não há como evitar.

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