Citação

Com o tempo olhares substituíram as periódicas palavras, carícias tomaram o lugar da saudade e, esperas foram preenchidas por companhia… Renunciamos à tendência poética por conversas bobas, os parágrafos intensos por minutos nossos. Em tempos onde não há muito tempo, prefiro todos com você, até mesmo a melancolia em ser nós, assim errados, assim confusos, no entanto juntos como sempre quis.

Exceção para falar de saudade

Tags

,

Como de costume fui até a porta do nosso quarto te olhar rapidamente, mas não pude te ver. O evidente oco de tua falta só se validou no instante em que te procurei onde sempre que ao olhar me apoderava das melhores sensações, mas não plenamente desta vez.

Esse é um texto pra você, e não me preocupa a inexistência de uma plateia senão que tu não pudesse lê-lo. Talvez o termo “carta” seja mais adequado, mesmo perdendo parte da conotação de outrora sendo esta uma carta que não possa tocá-la ao ler agora. Devo esclarecer ainda, que apesar de toda tristeza que este texto possa assemelhar, há em mim fundamentos suficientes para o destino oposto, nutridos em cada momento destes dias em que dividimos a cama e a vida.

Nós e nossa vocação em fazer do eventual assunto… É que ao te escrever te mantenho aqui, ao te descrever te sinto. Permito então essas representações “inconscientes” em objeção a saudade. Já previa acertadamente quão fácil seria acostumar-me a tua companhia diária. Está um pouco tarde agora e a playlist do nosso dia faz eco na calmaria da noite. Não posso controlar as recentes lembranças de euforia intensa quando fixamos em votos a decisão de juntar e dividir dores e sonhos por toda nossa tênue existência. Tua dedicação a despeito do ócio tem me erguido em dias difíceis.

Aqueles bilhetes na cozinha ficarão até tua volta, e não é precisão por sinais, somente sugestão de risos bobos enquanto te espero. Volta logo, amor.

Citação

Tags

,

…Tuas formas em movimento e as milhões de cores do teu rosto sob a luz do sol são antídotos para a minha alma comumente prestes a desabar. (…) Os abraços – quando em presença – ocultam todos os sons que não emitam as vibrações de nossa doce colisão. A propagação do nosso amor deve contagiar até o inanimado mais próximo.

Carta pra você

Tags

, ,

Confesso, amor, que fugir dos caminhos que possa alcançar a constatação dos meus limites tem sido recorrente conforme me sinto enfraquecido e perdido. Eu não faço ideia de quanto posso aguentar, apenas aguento. Sendo eu quem tu julga por basear palavras em lógica, isso aparenta ser abundante estupidez. E é. Mas essas ilusões de vigor reinvento todos os dias para não dar tudo a perder.

Já li por aí que o medo faz o homem se mover, e que grandes realizações e atos heróicos não derivam da coragem, mas da probabilidade iminente de fracasso ou da morte, muitas vezes residente na inércia. Descobri que carrego dois medos, e que de alguma forma podem ser definidos um. Isso acontece porque se algum deles se torna real, o outro está condenado ao mesmo fim. Um é o temor de me sentir sozinho e sem expectativas ante a ausência irremediável de tua companhia. E o outro é te perceber perdida em si mesma de tal forma que não se reconheça nem encontre incentivo para a existência. Em minha visão poética – e supostamente equivocada, mas que ainda me apego –, chamaria de amor este impulso que multiplica minha capacidade de persistência além do que eu mesmo suporto. Mas e se for medo?

Me sinto um pouco quebrado, amor. E tenho muito medo de trocar estes cacos por algumas certezas frias. Mas eu não vou ceder, porque bastam memórias pouco definidas do teu sorriso e me sinto mais disposto neste objetivo do qual não posso renunciar. Vai ver nem somos tão diferentes assim no que sentimos, e o diferencial esteja apenas nas escalas. Quero dizer que as vezes o mínimo também me dói, que meus monstros de dentro escapam vez ou outra e que por isso estou sujeito aos mesmos erros. Mas aprendi que qualquer conceituação profunda sobre a tristeza e sua propensão para a beleza simplesmente perde o sentido quando estou com você.

Tu possivelmente consideraria peso demais se eu te pedisse para não me deixar te deixar. Mas é que enquanto o amor continua sendo um enigma do qual estamos tentando, tua retribuição ou iniciativas naturais de afeto são combustíveis paralelos ao medo, que maximiza o amor preenchendo minha mente de sonhos de cumplicidade que as outras pessoas sequer compreendem.

Pode soar um tanto arrogante, amor, a idealização de que em parte eu me faça forte por tu quando não consegue. Mas acho que não convém ocupar outras linhas ao tentar explicar, se boa parte destas palavras são repetidas. E ao dizer assim, se não for tu que me entenderá, quem mais? Gosto de pensar que tu faria o mesmo por mim, ou melhor. E não escrevo desta forma como persuasão à tua postura, se porventura eu caísse, mas por acreditar em tua vocação para a bondade além de nossa natureza errada; essa bondade tantas vezes surrada e ofendida por outros e por tu mesma no auge dos desapontamentos. Gosto de ponderar que todas essas provas tem a exclusiva finalidade de fortificar o que nos une, apesar de que não conseguimos ainda extrair o melhor dos tropeços.

Me desculpa, amor, se preferia que isso fosse uma conversa e não um texto feito só. Tenho tantas coisas para te dizer que não consigo falar, pois me priva o raciocínio a possibilidade de tua resistência a qualquer frase mal arrumada e por isso um desencontro. Tu dormiu e eu estava pensando em nós.

♫ Headphones- Jars Of Clay

Citação

Se ao menos eu conseguisse explicar esses sentidos abstratos, tu entenderia quanto de ti cabe no oco dos meus dias, e talvez riria, porque de toda tristeza que isso possa parecer, é de amor as paredes do meu eu. Mais frágeis do que tu julga ser, mas faz-se forte para não te perder.

Tags

, , , ,

O livro que você me deu perdeu-se vezes em minha mesa no trabalho, vezes naquele móvel improvisado ao lado da cama no qual há outros livros que juntei desde que tua aptidão para a leitura reacendeu a minha há alguns anos abandonada. Mas não foi intencional, “é só um período com muitas obrigações”, eu assim dizia e tu compreensiva, aceitava. Não quis largá-lo a ermo mesmo diante do susto motivado pela complexidade das ideias pelas quais meu limitado esforço em entender se mostrou insuficiente. O que mais constatei sobre Kafka foi a indisposição para a simpatia, ainda que não desprezasse a educação das formalidades de antigamente.

Pensei em levá-lo comigo pela expectativa de ser longa a viagem, mas de instantâneo me corrigi ao recordar as características da viagem: à noite, e pouca iluminação. Além de que, ao me unir a tua presença nesses curtos encontros, pouquíssimas coisas deveria interferir para que desfrutássemos mais um do outro.

Algumas horas após, já acometido de simultâneas expectativas e apreensões, verificar desconhecer as ruas e casas à volta multiplicava a agonia. Então pensava. Talvez nunca tenha dito que aprecio tua paciência desmedida, tua espera classificada obrigatória.

Dormi para encurtar a distância. Acordei tão próximo que já podia prever te acordar com afagos, mas ao chegar e te encontrar singela pela calmaria do vigente dia que há pouco pôs-se a brotar, foi suficiente a carícia com leves beijos e segundos te olhando através da modesta claridade que vinha da janela.

Saudades e encontros tem sido tema da maioria destes poucos textos. Deveras nunca fui bem em falar do que não me consome, e nesses quase dois anos nossos dias podem ser compreensivelmente definidos como esperas. Poderia até justificar a constância na escassez de novidades onde tudo que poderia ser dito já foi, mas por enquanto unicamente falarei do que vivo.

Só nós sabemos dos efeitos colaterais. Mas mesmo tua habilidade acidental em estragar tudo me remete a intensidades de fundura das quais não se vê por aí. Não poderia então abdicar tamanha doação que desnorteia.  Deitando às 4:30 da manhã não consegui passar das 7 pelo entusiasmo em te rever no quarto ao lado. O aconchego do teu sorriso enquanto me abraça me transporta a planetas só nossos. Teu amor me apaixonou, mas conforme os meses passaram perdi o atributo de vítima. “Entre muitas outras coisas, tu eras para mim uma janela através da qual podia ver as ruas. Sozinho não o podia fazer.” (Franz Kafka).

Citação

Queria escrever…

Queria escrever sobre coisas banais. Então discorreria despretensiosamente sobre o senhor idoso no ônibus e sua destreza em contornar a solidão dos centros urbanos puxando assunto com o vizinho de assento; pouco tempo depois parecem até compartilharem do mesmo destino. Me aprofundaria em algumas linhas de como aquela rua de movimento ocasional às seis da tarde em gradativa perda de iluminação me trás a sensação de estar em casa, ainda com 8 anos. Então escreveria sem propósitos além de simplesmente escrever. Ou fixaria todos esses detalhes na memória, ou a exteriorização denotaria o esvaziar-me à medida que quem lesse levasse consigo um pouco do que senti. Dividindo amplificaria. De mim pra dentro também há perda.

<3

Tags

,

Que toda repetição seja perdoada em justificativa a estranheza da ausência.
De saudades todos os caracteres foram gastos até o captcha interromper. (Sim, eu sou humano e por isso você não vai me entender se falar de distâncias).
Já sofro de lesão por esforços repetitivos de tanto teclar “next” na tentativa ilusória de que passe o tempo em que estamos longe, e há quem afirme que saudade não tem consequências… Mas amor, não confunda 0kb de declarações com diminuição de sentimento. No meu coração tu é arquivo protegido do sistema e ocupa a maior parte dele.

Tags

,

DSC_0101-editada-blog

Minha mãe conta que quando eu era bem criança disse que aos 12 anos não precisaria mais dela, pois imaginava que então seria independente o suficiente. Mas claro, me enganei.

Quando cheguei a adolescência, já com um pouco de cautela julguei que a partir dos 20 teria mais certezas, um estado de satisfação comigo e o mundo. Mas também não foi assim.

Hoje pondero sem tantas garantias que “aceitar” vem antes de “compreender”. Mas não um “aceitar” de quem se submete e se entrega, e sim para conseguir continuar enquanto abandona alguns fardos. A idade é o que menos importa, se a experiência própria costuma sempre vir tarde demais.

Viver pode ser definido como a compreensão da condição de ignorante, mas que não signifique a perda do ânimo na busca por respostas que não têm. Para suportarmos a nós mesmos e aos outros, viver é acumular exceções, e o melhor é ter por perto quem faça o mesmo por nós.

O que não sei dizer

Tags

, , , , ,

DSC_0021-BLOG

Superestimei os aprendizados de minhas quedas e pensei ter me tornado mais próximo do inabalável. Mas se é sobre duas pessoas, muito conhecimento de si próprio jamais será suficiente. É tentando te entender que me esvazio do que sei sobre mim. E há considerável relação com o caminho supostamente seguro que projetei para os meus sentimentos andarem sem precipitação.

A naturalidade com que tu me arrebata da rotina extasia as dores dos planos errados. Como o instintivo respirar para manter a vida parece ser tua existência na minha. Tais representações palpáveis das poesias de amor até me restabelece a esperança no mundo, e não há maior milagre que isso.

O amor é clichê porque é a própria felicidade ininterrupta, e os intervalos quando o medo teima em tomar à frente devem ser combatidos com toda a dureza de quem luta pela vida. Desandar pode ser desastroso quando ofusca as boas memórias. E ninguém vê, além de nós, a luta interna para manter-se firme quando as circunstâncias parecem abraçar a decepção.

Ainda assim, o que há de ser mais belo do que nós dois? Diz ser a causa do medo, mas sei que em simultâneo te fascina. Devo esperar a jurisdição do tempo sobre as coisas que não entendo, ou a compreensão irremediável é a sina de não saber lidar? São perguntas que aspiro responder ainda que a resposta seja “não sei”.

“Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” {1 Coríntios 13:7}

Frase #002

Quando me envergonho da maldade que vence, e lamentando em silêncio a perda temporária do ânimo, ponho-me vulnerável à meus próprios pensamentos. Determinar a qualidade de bom provavelmente não caiba a mim, sobretudo correspondente a eu mesmo. Subjetivo demais. Mas muitas vezes ainda consigo identificar o que não sou. É incubência diária e instransferível domar as próprias inclinações, e pode ser que ganhar por dentro seja perder lá fora.

Algum pensamento que se soltou

Tags

Tenho receios que parecem deuses. O medo do medo me faz estátua. Os segundos perdidos pelo não ir quase tocam na minha mente como um relógio em uma sala vazia, as vezes que ouço rugir da agonia o grito de que poderia, deveria, pouco faz para cessar, mas joga-o no porão e esquece-o até que grite outra vez. Essas não são palavras fáceis; só tentativas de descrever o erro, para que perceba seu despejo e não volte mais. Quanto perdi só por ficar aqui.

Prólogo

Tags

, , , , , ,

Me esforcei para escrever. Há alguns anos atrás quando comecei planejava ser um livro. O tempo passou, e enquanto as coisas mudavam fiquei sem tempo e sem inspiração. Guardei os primeiros parágrafos.

Minha vida mudou, e a história também. A ela dei mais mais linhas e um ponto final com cara de reticências. A pretensão do livro está temporariamente adiada, sem datas. Nem todas as situações descritas são exatamente reais, mas em todos os significados há pouco (ou muito) de mim.

É um texto um pouco grande. Para os que não mergulharem em cada palavra provavelmente se tornará cansativo lá para o quarto, quinto parágrafo… Por isso peço que entre o quanto puder, se procure nas frases. Peço também aos que completarem que deixem um comentário com o que sentir vontade, ou simplesmente uma nota de que foi até o fim. É importante pra mim.

O português acertado é mérito de Tania Montandon, e todos os possíveis erros são meus.

– –

O desejo por escrever excedia a inspiração. Logo, todas as primeiras tentativas foram interrompidas com rosnados silenciosos e movimentos indecifráveis nos lábios. Como se quisesse exprimir emoções. Entretanto, desconhecia os códigos com que pudessem ser escritas. O olhar viajava em movimentos entre as limpas linhas à sua frente e o céu azul acinzentado além da janela à esquerda. Recomeçava diversas vezes, mas nem o branco das letras apagadas como incentivo à libertação parecia o ajudar.

Existia além do simples patético, descrição interior sublime das mais sinceras manifestações de amor, à espera de novas razões que fizessem abandonar desgostos ainda claros na memória. Ansiava a poder fazer sentir a singularidade das sensações e a glória do perfeito possível, até mesmo quando não retribuído ou humanamente desacreditado. Porém, tropeçava em seu próprio corpo ao chão e retornava do transe tão mais confuso quanto segundos antes do devaneio.

Do que serviria utopia de felicidade, ainda que por tempo indefinível quase alcançasse o céu, se todos os posteriores momentos o trouxeram de volta a realidade pouco atraente? Dividia-se então entre não mais sonhar ou viver o resto dos dias em sonho acordado, alimentando-os de tal maneira que se desgarrasse de quaisquer influências das tentativas em trazê-lo de volta a realidade.

Depois de algum tempo, virou-se para a estante onde ficavam alguns livros, passando os dedos sobre eles, parecendo procurar por algum. Todavia sequer lia os títulos, buscava saída para seus pensamentos ou algo ao acaso que inspirasse. Não era a primeira vez que se encontrava preso à imaginação, sentindo-se parte dela, ou ainda a mesma coisa sem possibilidade de separação. Procurava, pois, as palavras certas que representassem as melhores expressões. Certificava-se disso em releituras nos momentos e lugares diferentes. Queria ser entendido mesmo além das experiências e traumas individuais. Mais difícil ainda do que simplesmente escrever…

*

Levantou-se por impulso e, rapidamente, já estava em frente a sua casa, a pensar sobre qual seria o destino. Os dois lados da rua pareciam-se tanto! Pôs-se então a caminhar e, após dar alguns passos, virou-se na direção oposta ao vento e continuou. Dúvida constante! Insistia em opor-se ao previsível. Não era comum sair assim. Entanto, naquele momento, significava fugir dos pensamentos que o prendia. De alguma forma, a chance de respostas era pouco clara em sua mente. A verdade é que não sabia muito bem onde encontrá-las… Fazia tempo prometeu a si tentar algo novo, diferente daquele quarto pequeno de apenas uma janela. À revelia, esbarrava na rotina e comodismo viciantes.

Interrompeu o passo a algumas quadras depois em uma pequena e velha praça, de expressivas texturas desenhadas pelo tempo no concreto. Chamava sua atenção belíssima paisagem de um lago grande e calmo, a proteção das árvores ao redor, parecendo estar ali muito antes da construção da praça e, ainda assim, com sua beleza preservada. Naquela tarde não havia sol nem raios solares a se esconder no horizonte marcando o final de um dia. Somente um céu nublado em dégradés acinzentados que escureciam discretamente. O vento, mais forte com a chegada da noite, bagunçava seu cabelo e secava seus olhos. Ao perceber que há tempos não observara merecidamente aquela cena, impedido pela pressa ou mesmo alienação ou preocupação, sentiu leve nostalgia. Caminhou até o banco mais próximo do lago, também o mais distante do movimento da rua, com carros e pessoas a pé, cada um com seus destinos. Poucos refletiam sobre onde realmente queriam chegar. E quem exteriorizasse tal dúvida provavelmente seria classificado como alucinado, irracional. Por vezes essa era a pergunta que se fazia durante as tentativas de dormir nas madrugadas silenciosas. Acontecia de pegar no sono durante tais questionamentos e, quando acordava, era como se não tivesse ainda as respostas nem mais precisasse delas.

**

Três semanas aparentemente inúteis. Um livro para escrever e o máximo que conseguia eram frases de duas ou três linhas, muitas delas riscadas ou apagadas, e nada que fizesse morada a seu íntimo, ou seja, que fosse merecido dizer. A tragédia aparentava tão mais inspiradora do que isso que chamam de maturidade e, em momentos de profundos pensamentos, chegava até a querer outra vez deixar-se levar por projeções ilusórias de sentimentos. Tudo pra sentir de novo a dor do desencanto. Essa tal estabilidade emocional quase sempre monótona demais, previsível demais. Necessitava sentir que estava vivo, pois reflexos no espelho não eram suficientes.

Um pouco além de sua própria condição, – e não justificando a confusão de sentimentos, nem mesmo incentivando a superficialidade das emoções e relações –, parece ser intrínseco ao homem a frustração e o sofrimento, e muita influência possui sobre os grandes feitos da humanidade, principalmente ao que diz respeito à arte de expressar a vida e o que não podemos explicar de outra maneira.

Nada que mereça grande atenção foi consequência do conformismo.

**

Cada hora parecia ser um dia. Ainda assim, já era início da tarde e enquanto o tempo passava se assemelhava mais com os dias anteriores. A certeza de que nada iria acontecer tornava a espera pela noite única opção. Todos precisam esperar por alguém ou alguma coisa… Ocupava-se em lembranças, sempre embaralhadas por pensamentos novos de um passado cicatrizado, acostumado a ser relembrado. Livros, sua melhor companhia e até mesmo deles perdia o interesse naqueles momentos quando o tédio sobrepunha a razão. Como se nada do que houvesse – fossem atividades, músicas, diálogos, paisagens, textos, situações, imagens… – era suficiente para despertar dessa letargia. Um vazio, escuridão de respostas que não podia ver. Caminhava e caía. Às vezes a encontrar sentidos se esbarrava neles, mas nunca sabia como achá-los, qual direção ir. Muito pouco de intuição e todo o resto de interferência sobrenatural. Há sido assim tantas vezes quando isso ocorria.

Felizmente, ainda via emoção no crepúsculo, minutos antes de anoitecer, com os últimos raios de sol a se despedir em perfeita harmonia de cores e movimento. Em nenhuma outra ocasião o som é tão dispensável… Um silêncio quase obrigatório, qualquer adjetivo é insuficiente para descrever o resplendor do começo e do fim de cada dia. Mas o céu, insistentemente nublado, não mudava há algum tempo. Por dentro isso já durava anos…

Torturava sua memória à procura dos espaços onde ainda havia vazios em sua mente e se assegurava de escrever tudo que conseguia para que não se perdesse jamais na confusão dos pensamentos. Às vezes ficam histórias incompletas, sem início, sem final, ou ainda sem os dois. Somente frases soltas, inacabadas. Algumas delas só faziam sentido pra si e para ninguém mais que as lesse.

Fazia de conta que escrever o libertaria ou o aprisionaria, a depender de como se enxergue o amor. Sim, esse sentimento quase sempre desfeito em cacos, encoberto por projeções das quais julgamos importante. Por mais que entenda e aceite, sempre haverá muito mais a ser dito do que compreendia até mesmo no silêncio onde a solidão se impunha. São nas vozes caladas que há abundância de palavras, as mais sinceras delas, pois proporcionam um entendimento desgarrado de limitações.

Tornou-se ausência e saudade do que sonhara ser. Todo o afastamento do mundo real por discordar do que, de fato, é imposto como consumação da existência. Nada além que rejeição justificada por noções de capacidade e poder de enganar, só o que se pode esperar. Faziam-no sentir em devaneios sob uma névoa de romance. Não importa, não há sentido. Há mais o que se preocupar, sempre há, sempre haverá.

Ensaiava a distração da lamentação e, como antídoto da dor, prosseguia com o pensamento de que vai ser. Por mais que acreditasse, não havia garantias a oferecer para que seu coração, quase a desistir, recuperasse suficiente força para bater mais forte. Era o mínimo que o pensar fazia e isso, seu segredo enquanto fingia novo fôlego. Há sempre aquela ideia de estar bem, cobrança por superação e o outrora que se apague. Dificilmente acontece assim. Tornam-se corpos que deixam rastros de sangue por onde passam, sob uma auréola imaginária de superação. Ou estamos cegos ou todos nos tornamos loucos.

No início foi doloroso admitir a dura verdade.  As mudanças ocorridas em seus sentimentos eram irrelevantes na proporção com que elas pareciam presentes. Numa espécie de autodefesa, não ignorou o que sentia, mas inconscientemente guardou para se fazer mais forte na medida em que se recuperasse a coragem. Já conseguia prestar atenção ao passado e sorrir. Isso era suficiente.

**

O tempo passara e levou a sujeira dos entendimentos comprometidos por equívocos e traumas abraçados como se sentisse a falta daquelas linhas mal escritas. Constatou que ser, o amor em seu interior, sentimento dádiva. As quedas do caminho, escolhas imprecisas. Naquele dia a luz que aparentemente desistira de esperar se mostrou no céu insaturado e encontrou espaço dentre as ralas nuvens até seu coração. Necessária abstração só possível após complexas emoções e prováveis confusões que possui seu aparente último fim em opiniões a denotar grande frustração.

Ele é seu… O amor. Cicatrizes permanecem até a pele se renovar. Deveras é a renovação do sentimento o antídoto preciso, subscrição de recordações que poderiam ter se espalhado em pedaços minutos após, entanto permaneceram até que houvesse substitutas. Pois é grande a condenação para um coração isento de qualquer alteração, mesmo as menos desejadas.

Às vezes o ideal baseia-se em cicatrizes e afagos de consolo. Como partes imprescindíveis de momentos autojustificados. Entender a origem e a razão de todos aqueles estreitos caminhos parecia ter perdido sentido. Concentrava-se somente no que podia tocar e sentir; duvidava, mas, diferente do que pensou que sabia, o amor assume variadas formas, e tudo depende de nossas permissões.
Desprendeu-se então do que guardava sem sentimento definido, deixado lá. Permitiu-se preencher e subscrever para além do que podia crer. Às vezes até não cria, mas impossível outra reação não fosse viver como se não houvesse passado e espectadores. A novidade até assustava, momentos que se completam em si mesmos, dispensando o antes e o depois.

“Ela é linda”, seus olhos quase falam enquanto explorava pela primeira vez cada centímetro daquele singelo rosto e, rapidamente, desviava para não ser notado. Sorria com certa descrença. Classificar naqueles momentos o que era real ou sonho também não era o mais importante. Demasiado esforço precisaria para manter-se imune a tantos encantamentos, escolheu não fugir. Entregou-se como quem não possui limites e saboreou a sublime reciprocidade. Seus pés machucados levitavam enquanto corria para a luz. Duas almas em cacos fizeram-se uma e, a cada espaço de tempo quando se envolviam, confirmavam o pacto que prometeram e que talvez nem tenham notado naquele instante.

O calor do toque imoderado das mãos sobre a pele e toda aquela abnegação unilateral eram as provas que poderia esperar. Apaixonou-se pelos beijos em meio a palavras doces. Fixava o olhar no movimento dos lábios enquanto ela falava e observava, com satisfação, aquelas curvas em sua direção. Compreensão concedida para anos de dor. Faziam planos como quem jamais conhecera o sofrimento e riam como se não tivessem passado.

Entregou então o seu tímido amor que ansiava por cura. Sobretudo a cura dos conceitos incertos e dos erros a ficar para trás. Encontrou nos abraços carregados de carinho a singela definição que procurara por tantos anos. Confessava versos transbordando de amor sob um olhar atento e sorriso esticado. Toda a natural beleza que palavras não alcançam. Não podia mais dormir sem ouvir aquela voz doce de quem implorava por carinho, e os dias tornaram-se caminhos de espera para um destino edificado em nuances de romantismo. Construíram alicerces para a eternidade e, em todos os dias, apaixonavam-se novamente.

Tags

, , ,

Confesso haver certo deleite em contrariar o provável. Quem imaginaria o êxito de um sentimento que suplica por companhia, com quase oitocentos quilômetros de separação? Talvez durante algum tempo até nós mesmos questionamos em pensamento onde isso chegaria. Mas eram dúvidas momentâneas, carregadas de passado e medo baseados em erros que não existem mais.

Não sou escritor, embora mantenha eminente admiração pelos que se expressam sem reservas e pelas escolhas acertadas das palavras, e por vezes me proponho a tentativas de descrever sentimentos e emoções. Encontro-me preso a limites que me impedem de vôos maiores, mas de onde consigo te ver é o suficiente para não almejar nenhuma outra paisagem.

Tuas formas em movimento e as milhões de cores do teu rosto sob a luz do sol são antídotos para a minha alma comumente prestes a desabar. O frescor emana do peito enquanto cada centímetro do meu corpo se preenche do teu. Os abraços – quando em presença – ocultam todos os sons que não emitam as vibrações de nossa doce colisão. A propagação do nosso amor deve contagiar até o inanimado mais próximo.

Eu te observo dormir e aprecio a agradável dúvida entre te acordar ou te olhar mais um pouco; é quando tu percebe minha presença e acorda pela metade, me puxa para mais perto implorando por carinho, e pra dormir mais alguns minutos.

Não sei se ouvir tuas músicas agora causam mais consolo ou saudades. Já passou da hora de dormir, mas queria dizer. Eu espero por amanheceres que se repitam ao teu lado, e declarações espontâneas seguidas de afagos. Os planos daquela viagem para longe ainda estão de pé. Fotografar tua beleza para relembrar anos depois em qualquer sábado a noite em casa. Eu beijo o teu sorriso de felicidade, e é só isso que eu poderia querer, a mesma verdade para mim e você.

Te amo

Tags

, , , ,

Nunca antes pensei poder dizer que encontraria sentidos de felicidade em um mundo de tantas falsas sensações e palavras pouco verdadeiras. Aqui ainda estou, e não é sozinho, e muito menos tenho as mesmas opiniões de um pouco de tempo atrás, embora continue olhando pra outras pessoas e situações com semelhante sensação de que estão todos perdidos em vontades que se quebraram.

Do que enxergo quando olho pra trás não me restam opções que posso alterar. De onde estou pouco sei, porém vivo e insisto não menos intensamente como deveria. Ainda que não pareça, também sou feito de sonhos, mas o melhor deles se realiza continuamente e é isso que me fortalece.

Não descarto as falhas que me perseguem nessa infinidade de emoções, mas bem além de quanto isso pareça utópico para os outros, eu tenho um amor, e em essência é só isso que posso querer.

Confusão

Tags

, ,

São loucuras lançadas de todas as direções, e não consigo enxergar. São pedaços e histórias, encontros cancelados e vontades mudas. É muito de tudo e pouca verdade nas palavras que se movimentam no ar e se perdem sem falar, até que gritadas não são ouvidas, já esquecidas.

São sentimentos sobre a pele morta, restos que moldam a face que perdeu sua expressão. É tanta gente que se confunde, são tantas vozes que me impõem o que ser.

Sou um encontro realizado. Em minha vida entre parênteses há o que preciso, uma voz doce e a uma espera de final previsto para um dia que nunca se acabará.

Resposta

Tags

, ,

Itarcio & Sthefany - foto

Constatar que as linhas que nos une se apresentam ainda variáveis em força revela súbito medo. O temor de te perder por um milésimo de segundo me perturba por várias horas. E olhar para o nada é te ver sem ser visto. Prendo a respiração, as palavras desaparecem no vácuo que sou sem tua companhia. Incredulidade me mata devagar; nunca morro. Sempre fugindo de mim, mas ninguém vê.

Sou teu. E essa verdade também é tua. Acho que, de alguma forma isso te aflige… Pelo erro escondido nas tentativas. Mas no momento em que sente medo é quando mais se aproxima do erro. Tenho muitas formas de te falar, mas estou aqui escrevendo; porque todas as minhas frases são tuas também.

Digam o que quiserem, nunca me satisfez sentimentos incompletos e prioridades invertidas. Há beleza sublime na verdade e satisfação imedida na clareza dos pensamentos. São essas aspirações legítimas. Te amo da única maneira que posso te amar, por inteiro.

P.s.

Tags

, , , ,

Aqui são palavras do desencontro. Mas devo, antes de tudo, classificá-las apenas como introdução e exceção.

Antes sabia que seria assim, mas não imaginava que fosse lindo morrer mais uma vez. Mal lembro há quanto tempo isso começou, se 5 ou 6 anos; todo o tempo em que tua apatia dilacerou meu coração em partículas que até microscopicamente não restasse mais nada que nos ligasse, exceto lembranças.

Bisbilhotei tuas palavras, e não me encontrei. Foi como se falasse de outra pessoa. Nunca bastou pra tu expressar bons sentimentos, guardava a inspiração pros momentos de solidão quando eu me afastava por desespero, e ninguém te queria.

Todas as minhas palavras lançadas em tua direção não pousaram sob sua cabeça, não moraram em teu coração, por isso do que retornou até mim identifico somente dor e dúvidas, que só ecoa, não grita mais. Deixava-me tão solto quanto pudesse tocar outras vidas, porém preso suficiente para que ninguém pudesse tocar até me ganhar por completo. Um pouco menos de amor próprio e eu estaria até hoje perdido em possibilidades erradas. Mas não esperei o sol se pôr novamente e tua voz me chamar.

Minha frase foi de finalmente despedida, e acho que no fundo tu duvidou do que já dissera inúmeras vezes, mas sempre falhei comigo mesmo por acreditar no amor, e de que se fosse o sofrimento parte disso meu dever era entregar-me sem reservas. Tu e tua ilusão em achar que o amor cerceia a vida.

Outrora refletia que o amar de novo significasse estar à salvo de grandes surpresas e que não fosse mais possível o arrebatamento da alma quando dois sentimentos se encontram. Me enganei, e me senti feliz ao perceber minhas limitações em entender. E sorri ao verificar que ainda posso sentir sem limitação nenhuma… Há magia em ser conquistado e sentir-se suficiente.

A injustiça de Deus tornou-se sua principal expressão de misericórdia, e é impossível desaperceber do que fora um milagre pra mim, completar-se à medida em que me sinto completo. Tenho desvios de desejos, mas construo agora e até o fim das vidas um amor na beleza das verdades divinas.

Encontrei quem me fizesse sentir o que sempre pensei ser, mas duvidava pela insuficiência que significava eu pra tu. Em meu caminho não há volta, e meus passos são avisos que se desfazem atrás de mim.

Cheguei a ouvir até de tu mesma que nunca iria mudar, mas desprezei a mim mesmo quando escolhi ignorar. Se o amadurecimento veio tarde, considere então o esquecimento como melhor alternativa sobre o que fomos nós. Tu está onde fez questão de ficar, quando podia escolher. E eu estou onde sempre quis estar. Sou bem melhor agora, posso sentir.

Eu voltei

Tags

, , ,

Hoje completaria 3 meses e 20 dias sem escrever aqui, e muitas foram as mudanças que me ocorreram. É, na verdade, coerente afirmar que quase tudo é diferente agora, mas a percepção é proporcional à distância com que tu e os demais acompanharam essa história.

Se devemos considerar as curvas e quedas como acidentes inevitáveis de percurso, devo dizer que constatar minha vasta ignorância sobre o que pensei relativamente compreender foi das partes mais difíceis: eu não sei nada sobre o amor. E se o que ainda julgo conhecer é fruto da mesma matéria-prima da ideia a qual verifiquei o equívoco, há o risco de que todos os outros conceitos estejam fadados ao erro. Mas manterei enquanto houver verdade.

Pode ser que nas próximas palavras esteja óbvio certa alegria instantânea, como quando somos crianças e ganhamos um brinquedo novo, acompanhado de tantos e singelos mistérios que é fazer as mesmas coisas de um outro jeito. Talvez notem uma paz que transborda nas entrelinhas pelos espaços vazios e invade as palavras por dentro, como se não houvesse impedimento possível… Desses riscos ainda sou espectador tão quanto os que estão lendo agora.

**

Todos que acompanharam — ainda que distantes —, sentiram um pouco a dor em cada parágrafo. Sempre corri dos clichês, mas cedendo ao otimismo quase que impróprio a minha’alma, e oposto a provavelmente todos os textos anteriores a esse, encontrei nesses dias passados a verdade escondida e relativa de que pode ser que a vida surpreenda, e em todos os detalhes que só a realidade proporciona, será melhor do que nossos sonhos conseguem reproduzir.

Às vésperas do fim, preparava já o coração pra de novo suportar a dor de amputar sonhos inteiros. (Devo observar que a primeira vez, quando cercado de auréolas de inocência a dor é devastadora. Na próxima já sabemos pra onde correr…). Sem procurar, encontrei em outro alguém suficiente força para aguentar, um novo caminho para a fuga, um convite à vida que por tanto tempo apenas tolerei e esperei que passasse. Faz pouco tempo, mas sinto a mudança em pequenas e infinitas doses ao ponto de que enxergar os dias como contagem de tempo tornou-se somente distração para enganar a saudade que sinto dela.

Me enganei. E não tenho certezas que me ponham no chão, senão a máxima de que nossas escolhas nos fazem. Possuo um amor que me leva próximo ao céu, tão comedido e veemente como é necessário ser todos os amores. A sensação de estar completo extasia, descartando conscientemente quaisquer investidas externas e interiores que interfiram nesse estado sublime. Encontrei em teu peito expectativas e consolo, de tal maneira que não há mais aspirações se não for tua presença constante. Posso ignorar os subterfúgios e feridas que me atrapalhavam ser eu. Me encontrei em você.

Meu zelo é fazer-te feliz, e abençoado esteja pelo divino invisível, porque não há de passar. Tua presença em sentimento me inspira à escrever, mas antes de todas as coisas é minha inspiração para viver.

♫ Your Guardian Angel – The Red Jumpsuit Apparatus