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Foi enquanto inerte que mais me aproximei do erro. Mas em todas as vezes que tentei foi quanto mais forte senti. Ainda assim, posso afirmar empíricamente que machuca menos do que arrependimentos petrificados.

O que se escreve aqui, antes de tudo, é uma auto-terapia que esvazia e me impede de desabar. No decorrer desses anos estabeleci minha fuga em palavras falhas pra justificar e entender. Constatei ter sido insuficiente todas as vezes, como se dependesse de mim mais do que consigo oferecer, ou, na realidade, independe em totalidade do que penso e exteriorizo. Tornar a dor assunto tem tido o efeito contrário ao qual primeiramente me propus. Chegou a hora de parar para respirar até sentir-me apto outra vez. Sou imensamente grato a todos que dividiram comigo os sofrimentos.

Não cabe a mim antever o porvir, e reviver foi só o que fiz até saturar. Trata-se apenas do agora.

Esse é o último.

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Há tanta subjetividade porque tu não gosta de ser. Mas mesmo sendo sobre você, nunca foram as suas palavras. É um pouco do que foi ignorado e eu nunca soube como dizer tudo sem me perder naquele teu olhar de desdém, o mesmo que usa para esconder o desespero. Sequer a mochila abri, e as roupas permaneceram arrumadas no mesmo lugar. Rápido demais pra sufocar qualquer chance de prolongar, a dor, o amor.

No início tanta destreza em fazer-se inabalável, como se fosse o envolvimento fraqueza, transformando o sublime em mera representação da derrota e previsão evidente de frustração. Logo cedeu um pouco, porque ninguém consegue ser outro todo o tempo sem se perder. Pareceu ter decorado as respostas, e minhas palavras não tiveram efeito suficiente. Em todos os passos de volta, a cada quilômetro esperei o telefone tocar, como se não houvesse acreditado em nenhuma das tuas palavras. À medida com que distanciava os pensamentos eram substituídos, porque talvez tenha sido mesmo real…

Meu imediatismo sempre visto como drama desnecessário, deixo de lado. Sempre quando quis te apagar de mim fazia de tudo, esperando não te ver em lugar nenhum; em vão. Ainda não tive coragem de deletar as mensagens em que pareceu estar feliz. Dessa vez deixarei você se livrar dos restos, e acompanharei sem pressa. Não possuo mais a aspiração instantânea de outrora em parecer que não dói. Quando ocorra, há de ser mais genuíno que os momentos passados.

Me perdoe se tenho necessidade de falar, se não sei sofrer sozinho, como você. Ao que me parece, também tive culpa em demonstrar sem tantos impedimentos esse querer imensurável. Minha ideologia utópica sobre o amor me derrubou de novo. Sinto muito mais do que escrevo aqui. Não me importo que saibam. Já são duas noites que sonho com você e é só isso que tenho, até perder-se também. Seguirei incompleto até não querer mais ser completado. Por dentro o sentimento que jamais morrerá, cada vez menos manifestado até dispersarem-se os significados. Sem olhar pra trás, sem a amargura da ausência das tentativas.

…E viveram tristes para sempre.