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Hoje completaria 3 meses e 20 dias sem escrever aqui, e muitas foram as mudanças que me ocorreram. É, na verdade, coerente afirmar que quase tudo é diferente agora, mas a percepção é proporcional à distância com que tu e os demais acompanharam essa história.

Se devemos considerar as curvas e quedas como acidentes inevitáveis de percurso, devo dizer que constatar minha vasta ignorância sobre o que pensei relativamente compreender foi das partes mais difíceis: eu não sei nada sobre o amor. E se o que ainda julgo conhecer é fruto da mesma matéria-prima da ideia a qual verifiquei o equívoco, há o risco de que todos os outros conceitos estejam fadados ao erro. Mas manterei enquanto houver verdade.

Pode ser que nas próximas palavras esteja óbvio certa alegria instantânea, como quando somos crianças e ganhamos um brinquedo novo, acompanhado de tantos e singelos mistérios que é fazer as mesmas coisas de um outro jeito. Talvez notem uma paz que transborda nas entrelinhas pelos espaços vazios e invade as palavras por dentro, como se não houvesse impedimento possível… Desses riscos ainda sou espectador tão quanto os que estão lendo agora.

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Todos que acompanharam — ainda que distantes —, sentiram um pouco a dor em cada parágrafo. Sempre corri dos clichês, mas cedendo ao otimismo quase que impróprio a minha’alma, e oposto a provavelmente todos os textos anteriores a esse, encontrei nesses dias passados a verdade escondida e relativa de que pode ser que a vida surpreenda, e em todos os detalhes que só a realidade proporciona, será melhor do que nossos sonhos conseguem reproduzir.

Às vésperas do fim, preparava já o coração pra de novo suportar a dor de amputar sonhos inteiros. (Devo observar que a primeira vez, quando cercado de auréolas de inocência a dor é devastadora. Na próxima já sabemos pra onde correr…). Sem procurar, encontrei em outro alguém suficiente força para aguentar, um novo caminho para a fuga, um convite à vida que por tanto tempo apenas tolerei e esperei que passasse. Faz pouco tempo, mas sinto a mudança em pequenas e infinitas doses ao ponto de que enxergar os dias como contagem de tempo tornou-se somente distração para enganar a saudade que sinto dela.

Me enganei. E não tenho certezas que me ponham no chão, senão a máxima de que nossas escolhas nos fazem. Possuo um amor que me leva próximo ao céu, tão comedido e veemente como é necessário ser todos os amores. A sensação de estar completo extasia, descartando conscientemente quaisquer investidas externas e interiores que interfiram nesse estado sublime. Encontrei em teu peito expectativas e consolo, de tal maneira que não há mais aspirações se não for tua presença constante. Posso ignorar os subterfúgios e feridas que me atrapalhavam ser eu. Me encontrei em você.

Meu zelo é fazer-te feliz, e abençoado esteja pelo divino invisível, porque não há de passar. Tua presença em sentimento me inspira à escrever, mas antes de todas as coisas é minha inspiração para viver.

♫ Your Guardian Angel – The Red Jumpsuit Apparatus

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