Queria escrever sobre coisas banais. Então discorreria despretensiosamente sobre o senhor idoso no ônibus e sua destreza em contornar a solidão dos centros urbanos puxando assunto com o vizinho de assento; pouco tempo depois parecem até compartilharem do mesmo destino. Me aprofundaria em algumas linhas de como aquela rua de movimento ocasional às seis da tarde em gradativa perda de iluminação me trás a sensação de estar em casa, ainda com 8 anos. Então escreveria sem propósitos além de simplesmente escrever. Ou fixaria todos esses detalhes na memória, ou a exteriorização denotaria o esvaziar-me à medida que quem lesse levasse consigo um pouco do que senti. Dividindo amplificaria. De mim pra dentro também há perda.

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