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Como de costume fui até a porta do nosso quarto te olhar rapidamente, mas não pude te ver. O evidente oco de tua falta só se validou no instante em que te procurei onde sempre que ao olhar me apoderava das melhores sensações, mas não plenamente desta vez.

Esse é um texto pra você, e não me preocupa a inexistência de uma plateia senão que tu não pudesse lê-lo. Talvez o termo “carta” seja mais adequado, mesmo perdendo parte da conotação de outrora sendo esta uma carta que não possa tocá-la ao ler agora. Devo esclarecer ainda, que apesar de toda tristeza que este texto possa assemelhar, há em mim fundamentos suficientes para o destino oposto, nutridos em cada momento destes dias em que dividimos a cama e a vida.

Nós e nossa vocação em fazer do eventual assunto… É que ao te escrever te mantenho aqui, ao te descrever te sinto. Permito então essas representações “inconscientes” em objeção a saudade. Já previa acertadamente quão fácil seria acostumar-me a tua companhia diária. Está um pouco tarde agora e a playlist do nosso dia faz eco na calmaria da noite. Não posso controlar as recentes lembranças de euforia intensa quando fixamos em votos a decisão de juntar e dividir dores e sonhos por toda nossa tênue existência. Tua dedicação a despeito do ócio tem me erguido em dias difíceis.

Aqueles bilhetes na cozinha ficarão até tua volta, e não é precisão por sinais, somente sugestão de risos bobos enquanto te espero. Volta logo, amor.

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